Centavo Certo
Investimentos

CDB: o que é, como rende e o que observar

Entenda o que é um CDB, como funciona a remuneração em porcentagem do CDI, a diferença entre liquidez diária e vencimento, o papel do FGC e as armadilhas.

Por Redação Centavo CertoAtualizado em · 9 min de leitura · Nível iniciante

CDB é a sigla de Certificado de Depósito Bancário, um título que os bancos emitem para captar dinheiro: você empresta ao banco e recebe de volta com juros, em regra combinada no momento da aplicação. O mais comum é o CDB pós-fixado, que paga um percentual do CDI, taxa que acompanha de perto a Selic. O rendimento paga imposto de renda, e o risco de calote é reduzido pela cobertura do Fundo Garantidor de Créditos até o limite vigente.

O que é um CDB

Bancos precisam de dinheiro para emprestar a clientes, financiar carros e imóveis e manter o caixa. Uma das formas de conseguir esse dinheiro é emitir CDBs. Quem compra o título vira credor do banco: o banco deve ao investidor o valor aplicado mais os juros combinados, a serem pagos no vencimento ou no resgate, conforme as condições do título.

Qualquer banco autorizado pelo Banco Central pode emitir CDB, de grandes bancos de varejo a instituições médias e pequenas. A diferença entre eles aparece na taxa oferecida: quanto menor ou menos conhecido o banco, maior a taxa que ele precisa pagar para atrair investidores. Isso não é generosidade, é o preço do risco.

O CDB é um produto de renda fixa, ou seja, a regra de remuneração é conhecida na compra. Pode ser comprado diretamente no banco emissor ou por meio de corretoras e distribuidoras, que oferecem títulos de vários bancos na mesma plataforma.

"100% do CDI": o que isso significa

A maioria dos CDBs anuncia a rentabilidade como um percentual do CDI. O CDI é a taxa dos empréstimos de um dia entre bancos, calculada e divulgada pela B3. Ela caminha colada à taxa Selic, definida pelo Banco Central, com diferença pequena, de décimos de ponto percentual.

Ler o percentual é simples:

  • 100% do CDI: o título rende o CDI inteiro. Se o CDI acumulado no ano for 10% (número hipotético), o CDB rende 10% brutos.
  • 110% do CDI: rende 10% a mais do que o CDI. Com CDI hipotético de 10%, rende 11%.
  • 90% do CDI: rende 10% a menos. Com CDI de 10%, rende 9%.

O percentual multiplica a taxa, não soma pontos. "110% do CDI" não quer dizer "CDI mais 10%", e sim "CDI vezes 1,1".

Como o CDI muda ao longo do tempo, o valor exato que um CDB pós-fixado vai pagar só se conhece no resgate. O que você sabe de antemão é a regra. Para saber o CDI do dia e a Selic vigente, consulte os sites da B3 e do Banco Central.

Prefixado e híbrido também existem

Nem todo CDB segue o CDI. O CDB prefixado paga uma taxa fixa (por exemplo, 11% ao ano, em hipótese), independentemente do que a Selic fizer. O CDB híbrido paga inflação mais uma taxa fixa, como "IPCA + 6% ao ano". As três famílias têm os mesmos usos descritos no artigo sobre renda fixa: pós-fixado para reserva e curto prazo, prefixado para quem quer travar uma taxa até o vencimento, híbrido para proteger o poder de compra em prazos longos.

Liquidez diária ou no vencimento

Esta é a característica que mais muda o uso do produto, e a que mais gente ignora na hora de comparar taxas.

CDB com liquidez diária permite resgatar a qualquer momento, em geral em dia útil, com o rendimento proporcional aos dias aplicados. Serve para reserva de emergência e para dinheiro que pode ser necessário sem aviso. Em troca da flexibilidade, costuma pagar um percentual do CDI menor.

CDB com liquidez no vencimento prende o dinheiro até a data combinada, que pode ser de alguns meses a vários anos. Em troca do compromisso, paga um percentual maior. Se você precisar do dinheiro antes, as opções são limitadas: alguns bancos recompram com desconto, algumas corretoras oferecem um mercado secundário com preço abaixo do contratado, e muitos títulos simplesmente não permitem resgate antecipado.

Alguns CDBs têm carência: um período inicial em que não é possível resgatar, depois do qual a liquidez passa a ser diária. Leia as condições antes de aplicar.

A regra prática: nunca coloque em CDB sem liquidez um dinheiro que pode fazer falta antes do vencimento. A taxa maior não compensa a dor de cabeça de não conseguir sacar.

Risco do emissor e a garantia do FGC

O risco de um CDB é o banco emissor não conseguir pagar. Bancos quebram, inclusive no Brasil, e é por isso que existe o Fundo Garantidor de Créditos (FGC): uma entidade privada, mantida pelas próprias instituições financeiras, que devolve ao investidor o valor aplicado em CDB e em outros produtos quando o banco sofre intervenção ou liquidação.

A cobertura tem limites: um valor máximo por CPF e por instituição (ou conglomerado financeiro), e um teto global por período para quem recebe mais de uma vez. O limite inclui principal e rendimento até a data da intervenção. Os valores vigentes estão no site do FGC e podem ser alterados.

Pontos que fazem diferença na prática:

  • O limite é por instituição. Quem tem valores altos pode distribuir entre bancos diferentes para ficar dentro da cobertura em cada um.
  • O rendimento conta no limite. Se você aplica um valor igual ao teto, o rendimento que se acumular fica descoberto.
  • O pagamento leva tempo. Depois da liquidação, o FGC organiza a lista de credores e paga em semanas ou meses. Nesse período o dinheiro não rende e não está disponível.
  • A garantia não torna todos os CDBs iguais. Um CDB de banco pequeno a 120% do CDI tem mais chance de passar pelo processo do FGC do que um de banco grande a 100%. Para valores dentro do limite, o risco final é baixo nos dois, mas o segundo evita o transtorno.

Instituições que emitem e distribuem CDB precisam de autorização do Banco Central; corretoras e distribuidoras também precisam de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As consultas são gratuitas nos sites dos dois órgãos.

Imposto de renda e IOF

O rendimento do CDB paga imposto de renda, descontado na fonte pelo banco ou pela corretora no resgate ou no vencimento. Você não precisa pagar nada por fora, mas precisa informar o investimento na declaração anual.

A tabela é regressiva, com quatro faixas de prazo: até 180 dias, de 181 a 360, de 361 a 720 e acima de 720 dias. A alíquota é a maior na primeira faixa e a menor na última. Quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menos imposto proporcional você paga. Os percentuais de cada faixa estão no site da Receita Federal.

Resgates em menos de 30 dias também pagam IOF sobre o rendimento, com alíquota que diminui a cada dia e zera no trigésimo dia. Dinheiro que entra e sai em uma semana rende quase nada depois do IOF e do IR.

Em um exemplo simples, imagine R$ 5.000 em um CDB de 100% do CDI por um ano, com CDI hipotético de 10% ao ano. O rendimento bruto é R$ 500. Com uma alíquota hipotética de 20%, o imposto é R$ 100 e sobram R$ 400 líquidos, o que equivale a 8% ao ano. Se a aplicação fosse mantida por mais de dois anos, a alíquota cairia para a faixa mínima e a parcela retida seria menor. O artigo sobre imposto de renda em investimentos detalha a lógica.

Como comparar ofertas e as armadilhas

Comparar CDBs só pelo percentual do CDI é o erro mais comum. Use esta lista:

  1. Mesmo indexador? Não compare 110% do CDI com 12% prefixado sem pensar no cenário de juros.
  2. Mesma liquidez? Um CDB diário a 100% e um CDB de três anos a 115% não concorrem: servem para dinheiros diferentes.
  3. Qual é o emissor e quanto você já tem nele? Some o que já aplicou naquele banco e veja se o total, com rendimento, fica dentro do limite do FGC.
  4. Rendimento líquido ou bruto? Compare depois do imposto. Produtos isentos, como LCI e LCA, precisam de conversão para taxa bruta equivalente.
  5. Existe custo? A maioria das corretoras não cobra para investir em CDB, mas verifique a tabela de tarifas.

Armadilhas que se repetem:

  • Taxa alta, prazo longo, sem liquidez. O CDB de 120% do CDI que vence em cinco anos serve para quem não vai precisar do dinheiro e é um problema para quem vai.
  • "Rende mais que a poupança" como único argumento. Quase tudo rende mais que a poupança em alguns cenários; isso não diz nada sobre risco e prazo.
  • Ultrapassar o limite do FGC em um banco pequeno para ganhar alguns pontos de CDI.
  • Confundir conta remunerada com CDB. Algumas contas digitais rendem por meio de CDB ou de outro mecanismo; leia o que está escrito nas condições e confira se há cobertura do FGC.
  • Promessa de "CDB com rendimento garantido muito acima do mercado" vinda de contato não solicitado. É padrão de golpe; o artigo sobre golpes financeiros descreve os sinais.

Em um exemplo simples, imagine dois CDBs com CDI hipotético de 10% ao ano: o CDB A paga 100% do CDI com liquidez diária e o CDB B paga 115% do CDI com vencimento em três anos. Sobre R$ 10.000, o A rende cerca de R$ 1.000 brutos no primeiro ano; o B, R$ 1.150. A diferença de R$ 150 é o preço que o mercado paga pela sua paciência. Se houver uma chance real de você precisar desses R$ 10.000 em dois anos, o A é o único que cumpre a função, por mais que o B pareça melhor na tela.

Próximos passos

  1. Antes de aplicar, defina a função do dinheiro: reserva (liquidez diária) ou objetivo com data (vencimento compatível).
  2. Consulte o limite vigente da garantia no site do FGC e some o que você já tem em cada banco.
  3. Confira na Receita Federal a tabela regressiva e calcule o rendimento líquido da oferta que está avaliando.
  4. Verifique no site do Banco Central se o banco emissor e a corretora são autorizados.
  5. Leia as condições de liquidez e carência no documento do título antes de confirmar a aplicação.

Perguntas frequentes

CDB rende quanto?
Depende da taxa contratada. O mais comum é o pós-fixado, que paga um percentual do CDI, taxa que acompanha de perto a Selic. Um CDB de 100% do CDI rende o CDI inteiro, antes do imposto. Como o CDI muda ao longo do tempo, o valor exato só se conhece no resgate; a taxa atual está nos sites da B3 e do Banco Central.
CDB é seguro?
O risco é o banco emissor não pagar. O Fundo Garantidor de Créditos cobre CDBs até um limite por CPF e por instituição, com teto global por período, o que reduz muito esse risco para quem respeita o limite. Confira os valores vigentes no site do FGC.
O que é CDB com liquidez diária?
É um CDB que permite resgatar o dinheiro a qualquer momento, em geral em dia útil, sem esperar o vencimento. Costuma pagar um percentual do CDI menor do que um CDB que só pode ser resgatado no vencimento, em troca da flexibilidade.
CDB paga imposto de renda?
Sim. O imposto incide sobre o rendimento, é descontado na fonte e segue uma tabela regressiva: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor a alíquota. Resgates em menos de 30 dias também pagam IOF. A tabela vigente está no site da Receita Federal.

Fontes e referências

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Taxas, limites e regras citadas mudam com o tempo; confira sempre o valor vigente na fonte oficial antes de decidir. O Centavo Certo não recomenda produtos, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
Redação Centavo Certo

Escrevemos a partir de fontes oficiais, sem vender produto financeiro e sem receber para indicar instituições. Responsável editorial: Damiana Santos Vieira Antonio. Encontrou um erro ou uma informação desatualizada? Escreva para a redação; corrigimos e registramos a data da revisão. Próxima revisão programada: 19 de abril de 2027. Leia a política editorial.

Indicadores de hoje

Ver no Banco Central
Meta Selic...taxa básica, ao ano
CDI...referência da renda fixa, ao ano
IPCA...inflação acumulada em 12 meses
Salário mínimo...valor vigente

Não foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.

Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

Leia também

Mais guias de Investimentos e de outros temas.

Ver tudo em Investimentos