CDI: o que é e por que seus investimentos rendem '100% do CDI'
CDI é a taxa dos empréstimos de um dia entre bancos e serve de referência para CDBs e outras aplicações. Entenda a relação com a Selic e como ler '110% do CDI'.
CDI é a sigla de Certificado de Depósito Interbancário, o título que os bancos usam para emprestar dinheiro uns aos outros por um dia. A taxa média dessas operações, chamada de taxa DI, virou a régua da renda fixa brasileira: quando um CDB promete "100% do CDI", está dizendo que vai render o mesmo que essa taxa. Como o CDI acompanha a Selic de perto, entender um ajuda a entender o outro.
De onde vem o CDI
Os bancos não podem encerrar o dia com saldo negativo na conta que mantêm no Banco Central. Quem terminou o dia com sobra de caixa empresta para quem terminou com falta, e o empréstimo dura até o dia seguinte. O instrumento que formaliza essa operação é o CDI. Como são muitas operações por dia, a B3, bolsa brasileira que incorporou a antiga Cetip, registra tudo e apura uma média: a taxa DI.
Essa taxa é divulgada ao ano, com base em 252 dias úteis, embora cada operação dure um dia só. Por isso o CDI que você vê anunciado, como "CDI de 10% ao ano" em um exemplo hipotético, é a anualização da taxa de um dia.
Os bancos adotaram o CDI como referência porque ele representa o custo do dinheiro para eles mesmos. Se um banco capta do cliente pagando um percentual do CDI e empresta cobrando CDI mais um acréscimo, a margem dele fica protegida das oscilações de juros. Para o investidor, o efeito colateral foi positivo: quase toda a renda fixa passou a ser comparável na mesma régua.
A relação entre CDI e Selic
CDI e Selic são taxas de um dia e nascem de operações parecidas. A diferença está na garantia: nas operações que formam a Selic, o empréstimo entre bancos tem títulos públicos como lastro; nas que formam o CDI, não há essa garantia. As duas gravitam em torno da meta que o Copom (Comitê de Política Monetária) define para a Selic, porque nenhum banco aceita emprestar a outro por menos do que receberia emprestando ao governo.
Na prática, o CDI fica muito próximo da Selic meta, em geral um pouco abaixo. Quando o Copom muda a Selic, o CDI acompanha no dia útil seguinte, e o rendimento das aplicações atreladas a ele muda junto. O artigo sobre a taxa Selic explica como essa decisão é tomada e o que ela muda no crédito.
Para o investidor comum, a regra prática é: o CDI anda colado na Selic. Se a Selic sobe, o CDI sobe, e o CDB (Certificado de Depósito Bancário) pós-fixado rende mais. Se a Selic cai, tudo cai junto.
Como ler "100% do CDI", "110% do CDI" e "CDI + 2%"
O percentual do CDI é um multiplicador da taxa. Imagine um CDI hipotético de 10% ao ano:
| Rendimento anunciado | Rendimento bruto aproximado com CDI de 10% |
|---|---|
| 90% do CDI | 9% ao ano |
| 100% do CDI | 10% ao ano |
| 110% do CDI | 11% ao ano |
| 120% do CDI | 12% ao ano |
| CDI + 2% | 12% ao ano |
As duas últimas linhas parecem iguais nesse exemplo, mas se comportam de forma diferente. "120% do CDI" é um multiplicador: se o CDI cair para 5%, o título rende 6%. "CDI + 2%" é uma soma: com CDI de 5%, rende 7%. Em cenário de juros em queda, a soma protege mais; em cenário de alta, o multiplicador acelera mais.
Um detalhe técnico: a instituição aplica o percentual sobre a taxa de cada dia útil, e não sobre a taxa anual. Para entender a ordem de grandeza, a aproximação anual basta, mas o resultado exato em um simulador pode diferir em alguns centavos.
Outra confusão comum é entre o CDI anual e o CDI do mês. Como a taxa acumula dia útil a dia útil, um mês com 19 dias úteis rende um pouco menos do que um mês com 22, mesmo que a taxa anual não tenha mudado. Por isso o rendimento mensal da mesma aplicação varia de um mês para o outro, e o extrato pode mostrar percentuais diferentes sem que nada tenha sido alterado no contrato.
Nenhum desses números diz, sozinho, se a aplicação é boa. Um percentual maior costuma vir acompanhado de prazo mais longo, liquidez menor ou emissor menos sólido. O artigo sobre CDB mostra o que observar antes de aceitar uma oferta.
Exemplo de rendimento hipotético
Em um exemplo simples, imagine R$ 10.000 aplicados por um ano em três situações, com CDI hipotético de 10% ao ano. Para ilustrar o imposto, suponha uma alíquota de 20% sobre o rendimento; a tabela real, que varia conforme o prazo, está no site da Receita Federal.
- CDB a 100% do CDI: rendimento bruto de R$ 1.000. Imposto de R$ 200. Líquido de R$ 800, ou 8% ao ano.
- CDB a 110% do CDI: rendimento bruto de R$ 1.100. Imposto de R$ 220. Líquido de R$ 880, ou 8,8% ao ano.
- LCI (Letra de Crédito Imobiliário) a 90% do CDI, isenta de imposto de renda para pessoa física: rendimento bruto de R$ 900, sem imposto. Líquido de R$ 900, ou 9% ao ano.
Repare que a LCI com o menor percentual deixou mais dinheiro no bolso do que o CDB com o maior. O percentual do CDI é o começo da conta, não o fim. A comparação completa, com a fórmula de equivalência entre títulos isentos e tributados, está no artigo sobre LCI e LCA.
O prazo também mexe no resultado. Se o mesmo CDB a 100% do CDI ficasse aplicado por mais de dois anos, cairia na faixa mais baixa da tabela regressiva do imposto. Com uma alíquota hipotética de 15% em vez de 20%, o imposto sobre os mesmos R$ 1.000 de rendimento anual seria de R$ 150, e o líquido subiria para R$ 850. A diferença entre as faixas é um dos motivos para não resgatar antes da hora sem necessidade.
Os valores são apenas ilustrativos. O CDI vigente no seu prazo será outro, e rendimento passado não indica rendimento futuro.
O que o percentual do CDI não conta
- Risco do emissor: CDB, LCI e LCA são promessas de pagamento de um banco. Para aplicações cobertas pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), há um limite de garantia por CPF e por instituição, com os valores publicados no site do FGC.
- Liquidez: "liquidez diária" permite resgatar a qualquer momento; "no vencimento" prende o dinheiro até a data. Percentual alto com prazo longo e sem liquidez é uma troca, não um presente.
- Imposto: o rendimento anunciado é bruto. O imposto de renda sobre investimentos segue uma tabela regressiva por prazo, e o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) incide nos primeiros 30 dias.
- Carência: alguns títulos têm um prazo mínimo antes do qual o resgate não é permitido, mesmo que a aplicação anuncie liquidez depois disso. Confira a data a partir da qual o dinheiro fica disponível.
- Condições: contas remuneradas e CDBs promocionais podem oferecer um percentual alto por tempo limitado, até um valor máximo ou mediante exigências, como movimentar a conta. Leia a letra pequena.
Onde o CDI aparece no seu dia a dia
O CDI está em mais lugares do que parece. CDBs, LCIs, LCAs e fundos DI anunciam rendimento como percentual dele. Contas digitais remuneradas prometem "100% do CDI" ou frações disso. Fundos de investimento usam o CDI como referência de desempenho: um fundo que "rendeu abaixo do CDI" entregou menos do que a aplicação mais simples teria entregado. Empréstimos a empresas costumam ser contratados como "CDI mais um acréscimo".
Essa régua serve também para avaliar a sua própria carteira. Se o conjunto das suas aplicações rende menos do que o CDI ao longo de um ano, mas carrega mais risco do que um título pós-fixado simples, algo está desalinhado: ou o risco não está sendo pago, ou há taxas comendo o resultado. Comparar com o CDI não resolve tudo, mas dá um ponto de partida objetivo.
Até o Tesouro Selic, que segue a Selic e não o CDI, acaba comparado a ele. Para o investidor, isso é útil: qualquer renda fixa pós-fixada pode ser colocada na mesma régua. O artigo sobre renda fixa organiza as categorias.
Onde consultar o CDI
A taxa DI é calculada e divulgada diariamente pela B3, no site da própria bolsa. A Selic meta, que serve de referência, está na página do Banco Central. Como as duas andam juntas, muita gente usa a Selic como aproximação do CDI em contas rápidas, o que funciona bem para entender a ordem de grandeza.
Cuidado com simuladores que usam uma taxa fixa gravada meses atrás. Antes de projetar qualquer rendimento, confira a taxa atual e lembre que ela mudará ao longo do prazo da aplicação.
Próximos passos
- Confira a taxa DI atual no site da B3 e a Selic no site do Banco Central, e anote as duas.
- Pegue o extrato das suas aplicações e identifique o percentual do CDI de cada uma, o prazo e se há liquidez diária.
- Refaça a conta do exemplo deste artigo com os seus valores, descontando o imposto conforme o prazo de cada aplicação.
- Se tem dinheiro parado em conta corrente ou em aplicação que rende bem abaixo do CDI, avalie uma alternativa com liquidez compatível com o seu uso.
- Antes de aceitar uma oferta "acima do CDI", verifique o emissor, o prazo, a liquidez e o limite do FGC.
Perguntas frequentes
CDI e Selic são a mesma coisa?
Onde consulto o valor do CDI hoje?
Rendimento de 100% do CDI é bom?
Por que meu CDB rende menos do que o CDI anunciado?
Fontes e referências
Indicadores de hoje
Ver no Banco CentralNão foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.
Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.
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