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Open Finance: o que é e o que muda para você

Entenda o que é o Open Finance, como funciona o consentimento para compartilhar dados bancários, quais são os benefícios e riscos e como revogar o acesso.

Por Redação Centavo CertoAtualizado em · 8 min de leitura · Nível intermediário

Open Finance é o sistema, regulado pelo Banco Central, que permite a você compartilhar seus dados financeiros entre instituições autorizadas, com o seu consentimento e no seu interesse. Na prática, muda uma coisa central: o histórico que antes ficava preso no banco onde você tem conta passa a ser seu, para levar aonde quiser, e isso pode significar propostas de crédito e serviços melhores. O outro lado é a responsabilidade de entender o que você autoriza e de saber revogar.

O que é o Open Finance

Até pouco tempo atrás, o seu histórico financeiro (quanto você recebe, quanto gasta, como paga as contas) era informação que só a sua instituição enxergava. Isso dava a ela uma vantagem: outras empresas não tinham como avaliar o seu perfil com a mesma precisão, e as propostas que você recebia de fora eram piores ou mais caras.

O Open Finance, antes chamado de Open Banking, inverte essa lógica. Com regras definidas pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional, as instituições participantes passam a trocar dados de clientes entre si por meio de conexões padronizadas, sempre mediante autorização expressa da pessoa. A implantação foi feita em fases a partir de 2021, começando por dados cadastrais e de conta e avançando para crédito, investimentos, seguros e serviços de pagamento.

O princípio é que os dados pertencem a você, não à instituição. Ela é apenas guardiã e precisa entregá-los a quem você indicar.

Como funciona o consentimento

Nada acontece sem o seu "sim". O fluxo é sempre parecido:

  1. Você está no app de uma instituição (a que vai receber os dados) e escolhe a opção de trazer informações de outra.
  2. O app mostra exatamente quais dados serão compartilhados, para qual finalidade e por quanto tempo.
  3. Você é redirecionado para o app ou site da instituição que vai enviar os dados e confirma ali, com a sua autenticação habitual (senha, biometria).
  4. Volta para o app inicial, e o compartilhamento começa.

Três detalhes importam. Primeiro, a senha nunca é digitada no app de quem recebe; a autenticação acontece na instituição de origem. Segundo, o consentimento tem finalidade e prazo definidos, com validade máxima estabelecida nas regras do Banco Central e possibilidade de renovação. Terceiro, ele pode ser revogado a qualquer momento, em qualquer das duas instituições.

O que pode ser compartilhado

O escopo do Open Finance é amplo e vai além do que muita gente imagina. De forma resumida:

  • Dados cadastrais: nome, documentos, endereço, contatos.
  • Contas: saldos, extratos e limites de conta corrente, poupança e conta de pagamento.
  • Cartão de crédito: limites, faturas e transações.
  • Operações de crédito: empréstimos, financiamentos e consignados, com saldos, parcelas e taxas.
  • Investimentos: posições em renda fixa, fundos, títulos públicos e outros produtos.
  • Câmbio, previdência e seguros: estes últimos dentro do chamado Open Insurance, coordenado pela Susep (Superintendência de Seguros Privados).
  • Iniciação de pagamento: autorizar que um app faça um Pix a partir da sua conta em outra instituição, sem precisar abrir o app do banco.

Você escolhe o que compartilhar. É possível, por exemplo, autorizar apenas dados de conta e nada de investimentos, ou limitar o prazo a poucos dias para uma análise de crédito específica.

Benefícios práticos

O que muda no dia a dia de quem usa:

Propostas de crédito com base no seu histórico real. Uma instituição que vê o seu salário caindo todo mês, as contas em dia e a movimentação real tem mais segurança para oferecer limite e juros melhores. Isso é especialmente relevante para quem tem bom comportamento financeiro mas pouco relacionamento com o novo banco. O score de crédito continua existindo, mas deixa de ser a única fonte de informação.

Portabilidade mais simples. A troca de uma dívida cara por uma mais barata, explicada em portabilidade de crédito, fica mais rápida quando a nova instituição acessa os dados do contrato atual direto da origem, sem você precisar reunir documentos.

Visão consolidada. Apps de gestão financeira e os próprios bancos podem mostrar todas as suas contas, cartões e investimentos em uma tela só, o que facilita montar o orçamento pessoal sem lançar tudo manualmente.

Pagamentos sem trocar de app. Com a iniciação de pagamento, você pode pagar uma compra ou uma conta usando o saldo de outra instituição.

Em um exemplo simples, imagine uma pessoa com um empréstimo de R$ 10.000 em 24 parcelas a uma taxa hipotética de 3% ao mês. A parcela fica em torno de R$ 590. Ao compartilhar seu histórico com outra instituição pelo Open Finance, ela recebe uma proposta de portabilidade a 2% ao mês, com parcela em torno de R$ 529. A diferença é de cerca de R$ 62 por mês, ou aproximadamente R$ 1.480 ao longo do contrato.

Os números são ilustrativos, e o Open Finance não garante que a proposta vai aparecer; ele apenas dá às instituições a informação que permite competir pelo seu caso.

Riscos e cuidados

O Open Finance em si é fechado para quem não é autorizado, e os dados trafegam por canais criptografados e auditados. Os riscos reais estão em volta dele:

  • Golpes que usam o nome: mensagens pedindo para "atualizar o consentimento do Open Finance" por um link, ou ligações pedindo senha para "concluir a integração". O consentimento verdadeiro só acontece dentro dos apps oficiais, e ninguém pede sua senha. Os padrões desse tipo estão descritos em golpes financeiros.
  • Consentimentos esquecidos: você testou um app, autorizou o compartilhamento e nunca mais usou. Os dados continuam fluindo até o prazo vencer ou até você revogar.
  • Compartilhar mais do que precisa: se o objetivo é uma análise de crédito, não há motivo para incluir investimentos e cartões pelo prazo máximo. Escolha o mínimo que atende à finalidade.
  • Excesso de ofertas: com mais informação, as instituições vão oferecer mais produtos. Ofertas melhores são bem-vindas; o cuidado é não contratar crédito só porque ele ficou mais fácil.
  • Proteção de dados: a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) se aplica. A instituição que recebe os dados só pode usá-los para a finalidade autorizada e deve respeitar seus direitos de acesso e exclusão.

Como consultar e revogar um consentimento

Tanto a instituição que envia quanto a que recebe são obrigadas a oferecer, no app ou site, uma área para gerenciar consentimentos. O caminho costuma estar em menus como "Open Finance", "Compartilhamento de dados" ou "Consentimentos". Nela você consegue:

  • Ver a lista de consentimentos ativos, com a instituição envolvida, os dados compartilhados e a data de validade.
  • Revogar qualquer um deles na hora, sem precisar justificar e sem custo.
  • Acompanhar o histórico de consentimentos já expirados.

Ao revogar, o compartilhamento futuro para. Os dados que já foram transmitidos ficam sujeitos às regras da LGPD, e você pode solicitar a exclusão à instituição que os recebeu. Uma boa rotina é revisar essa área a cada poucos meses, do mesmo jeito que se revisam assinaturas.

Se uma instituição dificultar a revogação ou compartilhar algo sem a sua autorização, registre reclamação na própria instituição e, se não resolver, no Meu BC, canal de atendimento do Banco Central, e no Consumidor.gov.br.

Quem regula e onde consultar

O Open Finance brasileiro é regulado pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional, que definem quem pode participar, o que pode ser compartilhado e quais são as obrigações de segurança. A parte de seguros e previdência aberta segue a Susep, no Open Insurance. A operação técnica é coordenada por uma estrutura de governança que reúne as instituições participantes, com portal público onde é possível consultar a lista de participantes e materiais explicativos para o cidadão.

A participação é obrigatória para as maiores instituições e opcional para as demais, o que significa que a maioria dos brasileiros com conta em banco já tem acesso ao sistema, mesmo sem nunca ter usado. Se o seu app não mostra a opção, pergunte à instituição se ela participa.

Para decidir onde abrir ou manter contas, pode ajudar a comparação entre conta digital e banco tradicional, porque a experiência com o Open Finance varia conforme a instituição.

Próximos passos

  1. Abra o app da sua instituição principal e localize a área de Open Finance ou consentimentos. Veja se há algo ativo que você não lembra de ter autorizado.
  2. Revogue consentimentos de apps que você não usa mais.
  3. Se vai pedir crédito ou portabilidade, compartilhe apenas os dados necessários e pelo menor prazo que atenda à análise.
  4. Adote a regra: consentimento só dentro do app oficial, nunca por link recebido em mensagem.
  5. Para entender melhor as regras, o portal do Open Finance Brasil e a página do Banco Central têm a lista de participantes e guias para o cidadão.

Perguntas frequentes

Open Finance é seguro?
O sistema é regulado pelo Banco Central, só instituições autorizadas participam e nada é compartilhado sem o seu consentimento, dado dentro do app da própria instituição. O risco maior está em golpes que usam o nome do Open Finance para pedir senha ou cliques em links falsos.
Preciso pagar para usar o Open Finance?
Não. O compartilhamento de dados é gratuito para o cliente e totalmente opcional. Quem não quiser participar simplesmente não autoriza nada, e nenhum serviço bancário pode ser condicionado a isso.
Como cancelar o compartilhamento de dados?
No app da instituição que recebe ou da que envia os dados, procure o menu de Open Finance ou de consentimentos. Lá você vê tudo o que está ativo e pode revogar a qualquer momento, sem justificativa e sem custo.
O banco pode compartilhar meus dados sem eu autorizar?
Não. Cada compartilhamento exige um consentimento específico, com finalidade e prazo definidos, e tem validade máxima determinada pelas regras. Você pode conferir os consentimentos ativos no app a qualquer momento.

Fontes e referências

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Taxas, limites e regras citadas mudam com o tempo; confira sempre o valor vigente na fonte oficial antes de decidir. O Centavo Certo não recomenda produtos, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
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Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

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