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Dívidas e crédito

Score de crédito: como funciona e o que faz subir

Score de crédito explicado sem promessa: quem calcula, o que pesa na nota, o que não funciona, como entra o Cadastro Positivo e como reconhecer golpes.

Por Redação Centavo CertoAtualizado em · 8 min de leitura · Nível iniciante

Score de crédito é uma nota calculada por birôs de crédito (empresas como Serasa, SPC Brasil e Boa Vista) que estima a probabilidade de você pagar as suas contas nos próximos meses, a partir do seu histórico de pagamentos. O que faz a nota subir é simples de dizer e lento de fazer: pagar contas em dia, quitar ou negociar dívidas negativadas, manter os dados atualizados e evitar pedir crédito em muitos lugares ao mesmo tempo. Não existe forma de pagar para aumentar o score, e quem promete isso está aplicando golpe.

O que é o score e quem calcula

Cada birô de crédito tem o seu próprio score, calculado com um modelo estatístico próprio sobre os dados que ele possui. A Serasa, por exemplo, usa uma escala de 0 a 1000 e divide a escala em faixas; outros birôs têm escalas e faixas próprias. Por isso o seu número pode ser diferente em cada um, e isso não é erro.

O score não é uma nota de caráter. É uma estimativa estatística: entre as pessoas com um histórico parecido com o seu, quantas pagaram e quantas deixaram de pagar. Quanto mais o seu histórico se parece com o de quem paga em dia, maior a nota.

Bancos e lojas consultam o score (entre outras informações) quando você pede cartão, empréstimo, financiamento ou crediário. Mas cada instituição também tem modelos internos, e a decisão final é dela.

Consultar o seu próprio score é gratuito nos sites e aplicativos dos birôs. A Serasa, por exemplo, mostra a nota e os fatores que a influenciam na área logada do usuário.

O que pesa na nota

Os birôs não publicam a fórmula exata, mas informam os fatores principais. Em linhas gerais, o que mais influencia é:

  • Pagamento de contas em dia. Faturas de cartão, parcelas de empréstimo e financiamento e, pelo Cadastro Positivo, também contas de serviços como luz, água, gás e telefone, quando essas empresas compartilham os dados.
  • Dívidas negativadas. Um registro ativo de inadimplência puxa a nota para baixo enquanto durar.
  • Consultas ao CPF por empresas. Cada vez que você pede crédito, a empresa consulta o seu CPF. Muitas consultas em pouco tempo costumam indicar que a pessoa está buscando crédito em vários lugares, e o modelo lê isso como risco.
  • Dados cadastrais atualizados. Endereço, telefone e renda atualizados nos birôs contam como sinal de estabilidade.
  • Histórico e relacionamento com crédito. Quem nunca teve crédito tem pouco histórico, e o modelo tem menos informação para avaliar. Isso explica por que jovens e pessoas sem conta em banco às vezes têm score baixo mesmo sem nenhuma dívida.

O artigo nome negativado: o que fazer explica como consultar e regularizar registros negativos, que são o fator mais pesado.

O Cadastro Positivo e o que ele muda

Antes da adesão automática, em 2019, poucas pessoas estavam no Cadastro Positivo, e os birôs trabalhavam principalmente com informação negativa: quem atrasou, quem foi negativado. Isso penalizava quem nunca atrasou, mas também nunca teve histórico. O Cadastro Positivo, criado pela Lei 12.414/2011 e alterado em 2019 para incluir todo mundo automaticamente, mudou isso.

Com ele, as empresas de crédito, e também setores como telefonia, energia, água e gás, podem enviar aos birôs o histórico de pagamentos em dia, e não só os atrasos. Assim, quem paga certinho constrói um histórico que ajuda na nota, mesmo sem nunca ter feito um empréstimo.

Você pode consultar o que está registrado no seu Cadastro Positivo nos sites dos birôs e pode pedir para sair dele a qualquer momento. Sair, porém, significa que o seu bom histórico deixa de ser considerado, o que em geral não ajuda quem quer crédito.

Uma ferramenta parecida, mas diferente, é o Open Finance: nele, você autoriza uma instituição a acessar os seus dados em outra, por exemplo para receber uma proposta de crédito com base no seu extrato. O artigo sobre Open Finance explica como funciona e como revogar o consentimento.

O que não funciona (e o que é golpe)

Existe uma indústria de promessas em torno do score. O que não funciona:

  • Pagar para "aumentar o score". Nenhum birô vende pontos. Serasa e SPC Brasil avisam nos próprios canais que isso é golpe. Quem paga perde o dinheiro e ainda entrega dados pessoais.
  • "Limpar o nome" sem pagar a dívida. Não existe. O registro só sai com pagamento, acordo ou comprovação de erro.
  • Pedir cartão em vários bancos para "criar histórico". Isso gera várias consultas em sequência, que costumam derrubar a nota.
  • Fazer um empréstimo só para pagar em dia. Você paga juros para criar histórico, e qualquer atraso tem o efeito contrário. Crédito tem que ter motivo.
  • Esperar efeito imediato ao quitar uma dívida. A nota sobe quando o credor informa a baixa e o birô processa, e mesmo assim reflete o histórico inteiro, não só o último mês.

Os golpes mais comuns usam sites e perfis que imitam os birôs, links por mensagem e "consultores" que pedem Pix adiantado. Os birôs só atendem pelos canais oficiais. O artigo sobre golpes financeiros traz os sinais de alerta.

O que faz o score subir de verdade

A lista é curta, e o efeito é lento:

  1. Regularize as negativações. Negocie e pague, ou conteste se o registro for indevido. É o passo com maior efeito. O artigo como negociar dívidas mostra o caminho.
  2. Pague tudo em dia, todo mês. Fatura do cartão, parcelas, contas de serviços. Se possível, coloque em débito automático o que tem valor fixo.
  3. Atualize os seus dados nos birôs. Leva minutos e é gratuito.
  4. Peça crédito só quando precisar e evite espalhar pedidos. Compare propostas sem abrir vários pedidos formais ao mesmo tempo.
  5. Use o crédito que já tem com moderação. Fatura de cartão sempre paga no total, sem entrar no rotativo. O artigo cartão de crédito: como usar sem cair no rotativo mostra como.
  6. Tenha paciência. Não existe prazo fixo. Os birôs recebem dados das empresas em ciclos, e a nota se ajusta ao longo de semanas e meses.

Um exemplo: seis meses de reconstrução

Em um exemplo simples, imagine alguém com uma dívida negativada de R$ 900 em uma loja e uma fatura de cartão de R$ 400 por mês, que paga sempre no dia. O score está baixo por causa da negativação.

O plano dessa pessoa, com números hipotéticos:

Mês Ação Efeito esperado no histórico
1 Negocia a dívida de R$ 900 em 3 parcelas de R$ 250 (total de R$ 750, com desconto) e paga a primeira O credor pede a baixa da negativação em geral após o pagamento, conforme o acordo
2 e 3 Paga as duas parcelas restantes e a fatura do cartão Acordo quitado; mais dois meses de pagamentos em dia
4 a 6 Mantém a fatura paga no total e atualiza os dados nos birôs Histórico positivo acumulado, sem consultas novas

Ao fim de seis meses, não há negativação ativa, há um acordo cumprido e seis faturas pagas em dia. Isso é o que o modelo lê como redução de risco. O número exato do score no final ninguém pode prometer, e varia entre birôs, mas a direção é essa.

Repare no que o exemplo não tem: pedido de cartão novo, empréstimo "para gerar histórico" e qualquer pagamento a terceiros.

Score não é tudo: o que o banco olha além dele

Mesmo com score alto, o crédito pode ser negado, e mesmo com score médio, pode ser aprovado. Isso acontece porque cada instituição combina o score com:

  • Renda comprovada e quanto dela já está comprometido com outras parcelas.
  • Relacionamento: tempo de conta, movimentação, produtos que você já tem.
  • Política de risco da instituição naquele momento, que muda com a economia.
  • Informações do Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central, que registra operações de crédito em todas as instituições. Você pode ver o seu relatório no Registrato, com login gov.br.

Por isso, a estratégia que funciona é a mesma em todas as frentes: organizar o orçamento, pagar em dia e usar crédito com propósito. O score acompanha. Se o seu orçamento ainda não está de pé, o artigo como fazer um orçamento pessoal é o ponto de partida.

Próximos passos

  1. Consulte hoje o seu score e as negativações nos sites da Serasa e do SPC Brasil, de graça.
  2. Se houver negativação, peça propostas de acordo e comece pela dívida que cabe pagar à vista.
  3. Atualize endereço, telefone e renda nos cadastros dos birôs.
  4. Coloque as contas de valor fixo em débito automático ou crie lembretes de vencimento.
  5. Suspenda qualquer pedido de crédito que não seja necessário nos próximos meses.

Perguntas frequentes

Consultar meu próprio score faz ele cair?
Não. A consulta feita por você mesmo, no site ou no app do birô, não entra no cálculo. O que pode pesar são muitas consultas feitas por empresas em um curto período, porque isso costuma indicar vários pedidos de crédito ao mesmo tempo.
Paguei a dívida, por que o score não subiu?
A atualização depende de o credor informar a baixa e de o birô processar o dado, o que leva dias. Depois disso, o score reflete o histórico inteiro, não só o último pagamento: a nota se recompõe ao longo dos meses conforme as contas vão sendo pagas em dia.
É possível pagar para aumentar o score?
Não. Nenhum birô vende aumento de score, e quem oferece isso está aplicando golpe. O score só muda com o seu comportamento de pagamento, registrado pelas empresas credoras e pelo Cadastro Positivo.
Score alto garante crédito aprovado?
Não. O score é uma das informações que o banco usa, junto com renda, relacionamento e a política interna de risco. Score alto ajuda, mas cada instituição decide com os próprios critérios.

Fontes e referências

Aviso. Este conteúdo é educativo e não substitui orientação profissional. Taxas, limites e regras citadas mudam com o tempo; confira sempre o valor vigente na fonte oficial antes de decidir. O Centavo Certo não recomenda produtos, não intermedeia crédito e não recebe para indicar instituições. Leia o aviso legal.
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Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.

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