Planilha de gastos: como montar a sua em 15 minutos
Aprenda a montar uma planilha de gastos em 15 minutos, com colunas, categorias sugeridas, rotina de preenchimento e os erros que levam ao abandono da planilha.
Uma planilha de gastos é uma tabela com cinco colunas (data, descrição, categoria, valor e forma de pagamento) e uma aba de resumo que soma por categoria. Montar a estrutura leva 15 minutos em qualquer editor de planilhas gratuito, no computador ou no celular. O que faz a planilha funcionar não é a fórmula, é a rotina de preenchimento: lançar os gastos em poucos minutos, duas ou três vezes por semana.
Antes de abrir a planilha: o que ela precisa responder
A planilha existe para responder três perguntas, todo mês:
- Quanto entrou?
- Para onde foi?
- Quanto sobrou (ou faltou)?
Tudo que não ajuda a responder isso é enfeite. Gráfico colorido, dez abas e categoria para cada tipo de pão deixam a planilha bonita no primeiro dia e abandonada no décimo. Comece pelo mínimo e acrescente só o que fizer falta.
Se você ainda não sabe quanto ganha líquido nem quais são seus gastos fixos, faça primeiro o levantamento do artigo sobre orçamento pessoal. A planilha é a ferramenta; o orçamento é o plano. O programa Cidadania Financeira, do Banco Central, também oferece materiais gratuitos sobre controle de gastos para quem está começando.
As colunas: estrutura mínima que funciona
Crie uma aba chamada "Lançamentos" com estas colunas, nesta ordem:
| Coluna | O que vai nela | Exemplo |
|---|---|---|
| Data | Dia do gasto, não da fatura | 05/03 |
| Descrição | Curta, do jeito que você lembra | Mercado semana 1 |
| Categoria | Uma da lista fixa (próxima seção) | Alimentação |
| Valor | Sempre positivo, sem R$ na célula | 230,00 |
| Pagamento | Pix, débito, crédito, dinheiro | Crédito |
Duas colunas opcionais que ajudam, se não pesarem:
- Fixo ou variável: um F ou V. Permite ver quanto do mês já está comprometido antes de qualquer decisão.
- Parcela: "2/6" para compras parceladas. Lembra que a compra ainda vai aparecer por quatro meses.
Crie uma segunda aba chamada "Resumo" com uma linha por categoria e uma fórmula que soma os lançamentos daquela categoria. A função SOMASE (ou SUMIF, em inglês) faz isso: soma a coluna de valor quando a coluna de categoria é igual ao nome que você indicar. Abaixo das categorias, coloque a renda líquida do mês e uma linha "Saldo" com a renda menos o total gasto.
Pronto. É isso que leva 15 minutos. O resto do artigo é sobre como usar.
Categorias sugeridas
Categorias demais matam a planilha; categorias de menos escondem o problema. Entre 8 e 12 costuma ser o ponto certo. Uma lista de partida:
- Moradia: aluguel, condomínio, prestação, IPTU.
- Contas da casa: luz, água, gás, internet, celular.
- Alimentação: mercado, feira, padaria.
- Restaurante e delivery: separado de alimentação de propósito, porque é onde a gordura costuma estar.
- Transporte: combustível, transporte público, aplicativo de corrida, estacionamento, manutenção.
- Saúde: plano, consulta, remédio, exame.
- Educação: escola, curso, livro, material.
- Lazer: cinema, bar, viagem, hobby.
- Assinaturas: streaming, aplicativos, academia, clube.
- Pessoal: roupa, cabelo, cosméticos.
- Dívidas: parcela de empréstimo, fatura atrasada, juros.
- Guardar: transferências para reserva e metas. Lançar como "gasto" garante que o dinheiro saiu de fato.
Deixe uma categoria "Outros" com a regra de que ela não pode passar de uns 5% do total. Se passar, está escondendo uma categoria que precisa existir.
Decida a categoria de cada tipo de gasto uma vez e não mude. Se "padaria" é alimentação em março e lazer em abril, a comparação entre meses deixa de valer.
A rotina de preenchimento
A planilha não é abandonada por ser difícil; é abandonada porque o preenchimento acumula. Dez gastos para lançar é fácil. Oitenta, no fim do mês, ninguém faz.
Uma rotina que se sustenta:
- Na hora do gasto: nada de planilha. Só guarde o comprovante ou anote no bloco de notas do celular: "padaria 18". Leva cinco segundos.
- Duas ou três vezes por semana (por exemplo, terça e sexta): abra a planilha e lance o que anotou. Cinco minutos.
- Uma vez por semana: confira o extrato do banco e a fatura do cartão para pegar o que escapou (débito automático, tarifa, assinatura). Mais cinco minutos.
- No fechamento do mês: lance a renda, olhe a aba de resumo, compare com o mês anterior e com o limite de cada categoria. Quinze minutos.
Compras no cartão de crédito entram na data da compra, não no vencimento da fatura. É assim que você vê o gasto no mês em que decidiu gastar. Na coluna de pagamento, "crédito" permite somar quanto a próxima fatura vai pesar.
Se você tem conta em mais de um banco, dois recursos ajudam a não esquecer nada: o Registrato, serviço gratuito do Banco Central, lista todas as instituições em que você tem conta ou empréstimo; e o Open Finance, sistema regulado pelo Banco Central, permite que, com seu consentimento, um aplicativo reúna extratos de vários bancos em um só lugar.
Exemplo: um mês hipotético e como ler os totais
Imagine uma pessoa com renda líquida de R$ 3.500. No fechamento do mês, a aba de resumo mostrou isto (valores hipotéticos e redondos, percentuais arredondados):
| Categoria | Gasto no mês | Percentual da renda |
|---|---|---|
| Moradia | R$ 1.200 | 34% |
| Contas da casa | R$ 300 | 9% |
| Alimentação | R$ 550 | 16% |
| Restaurante e delivery | R$ 420 | 12% |
| Transporte | R$ 280 | 8% |
| Saúde | R$ 150 | 4% |
| Lazer | R$ 200 | 6% |
| Assinaturas | R$ 130 | 4% |
| Pessoal | R$ 120 | 3% |
| Outros | R$ 90 | 3% |
| Total gasto | R$ 3.440 | 98% |
| Saldo | R$ 60 | 2% |
A leitura começa pelo saldo. Sobraram R$ 60 de R$ 3.500. Positivo, mas sem margem: qualquer imprevisto vira dívida.
Depois, procure a categoria que mais destoa do que você imaginava. Aqui, "restaurante e delivery" tem R$ 420, quase o mesmo que o mercado inteiro. É o alvo mais claro. Se essa categoria cair para R$ 200, o saldo do mês sobe para R$ 280, o suficiente para começar uma reserva de emergência.
Em seguida, olhe as assinaturas. R$ 130 por mês são R$ 1.560 por ano. Vale abrir a lista e ver o que é usado de verdade.
Por fim, compare com o mês anterior. Uma categoria que subiu 30% de um mês para o outro pede explicação: foi um evento pontual (presente, viagem) ou um hábito novo? A resposta muda o que você faz a seguir.
Três meses de planilha são suficientes para enxergar o padrão. A partir daí, os totais viram os limites do seu orçamento, e a planilha passa a mostrar, semana a semana, se você está dentro deles.
Alternativas: aplicativo ou caderno
A planilha não é obrigatória. O que importa é registrar e somar por categoria. Cada ferramenta tem um perfil.
Aplicativo de finanças. Vantagem: muitos importam os lançamentos do cartão e da conta automaticamente, inclusive por Open Finance, e categorizam sozinhos. Desvantagem: a categorização automática erra, e quem não confere acaba com um relatório bonito e errado. Serve bem para quem tem muitos lançamentos e pouca paciência.
Caderno. Vantagem: zero tecnologia, funciona para quem não gosta de tela e torna o gasto mais consciente, porque escrever à mão demora. Desvantagem: somar por categoria dá trabalho, e comparar meses é difícil. Serve bem para quem tem poucos lançamentos ou está começando.
Planilha. Fica no meio: controle total, flexibilidade para criar o que quiser, soma automática. Exige a rotina de lançamento. Serve bem para quem quer entender de verdade para onde o dinheiro vai.
Um caminho comum é começar no caderno, migrar para a planilha quando as somas ficarem chatas e, mais tarde, usar um aplicativo para importar e a planilha para analisar. Não existe ferramenta certa; existe a que você vai preencher.
Erros que fazem a planilha ser abandonada
Quem já começou e parou uma planilha reconhece pelo menos um destes:
Querer o modelo perfeito antes de começar. Procurar o template ideal consome a energia que deveria ir para o lançamento. Cinco colunas e uma aba de resumo bastam.
Deixar para lançar no fim do mês. Oitenta lançamentos de uma vez, metade sem lembrar o que era. Lance duas vezes por semana.
Categorias demais. Vinte categorias viram vinte decisões a cada lançamento. Fique entre 8 e 12.
Não lançar os pequenos gastos. "Não vale a pena anotar R$ 5." Vale: é justamente a soma deles que a planilha revela. Veja quanto eles custam por ano no artigo como economizar dinheiro todo mês.
Lançar a fatura do cartão como um gasto só. Isso esconde para onde o dinheiro foi. Lance cada compra na sua categoria.
Sentir culpa e parar de olhar. A planilha não julga; ela informa. Um mês ruim registrado vale mais do que um mês bom imaginado.
Não usar os totais para nada. Se os números não mudam nenhuma decisão, a planilha vira diário. Todo fechamento deve terminar com um ajuste para o mês seguinte, mesmo pequeno.
Próximos passos
- Abra um editor de planilhas gratuito e crie a aba "Lançamentos" com as cinco colunas.
- Crie a aba "Resumo" com as categorias da lista e uma fórmula de soma condicional para cada uma.
- Lance hoje os gastos dos últimos sete dias, usando extrato e fatura.
- Marque dois horários fixos na semana para os lançamentos, de cinco minutos cada.
- No fim do mês, escolha uma única categoria para reduzir e defina o limite dela para o mês seguinte.
Perguntas frequentes
Quais colunas uma planilha de gastos precisa ter?
Planilha, aplicativo ou caderno: qual é melhor?
Com que frequência devo preencher a planilha de gastos?
Compras no cartão entram na data da compra ou da fatura?
Fontes e referências
Indicadores de hoje
Ver no Banco CentralNão foi possível carregar os indicadores agora. Consulte no site do Banco Central.
Fonte: Banco Central do Brasil (série temporal SGS), consultado ao abrir a página.
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